Conceito de Memória
“O tempo da memória se furta à ordem das lembranças. Presa na cilada da nostalgia, a evocação se perde na repetição obsessiva das cenas e da linguagem perdida. As palavras do velho que se esforça em lutar contra o enfraquecimento de sua memória (...)”
“Ao querer conservar o idêntico, a memória se consagra pela repetição do mesmo até a saciedade de sua restituição”
Ao se falar em memória, hoje, são muitos os trabalhos que tratam do assunto. A preocupação com a preservação da memória histórica e consecutivamente a preservação do patrimônio cultural.
Mas antes de se falar da preservação da memória é preciso entender a relação memória/história que ao longo dos tempos as idéias acabaram se distanciando. Segundo CLÁUDIA MONTALVÃO essa relação chegaria ao fim a partir do século XVI e a supervalorização do homem e da escrita que fez nascer um novo conceito de História que abandonaria o conceito da Grécia Antiga que fazia uma relação direta entre memória e história. Para entender a diferença entre Memória e História a autora CIRCE BITTENCOURT distingue memória e História. A memória realiza omissões, funciona pela seleção e eliminação de lembranças, já a História trabalha com a acumulação dessa memória, confronta as memórias individuais e coletivas e usa um método para recompor os dados da memória. A principal distinção é que a história necessita de um método para ser feita, já a memória funciona de acordo com as recordações do indivíduo, mas as duas deveriam coexistir. Além de está diretamente ligada a História, a preservação do patrimônio cultural a memória é a base também a para o surgimento da identidade social. Segundo MICHAEL POLLAK a formação da identidade tem relação direta com a memória, sendo assim a memória é constituída por pessoas, personagens. Além dos acontecimentos e das personagens, temos os lugares. Os Lugares de memória, lugares particularmente ligados a uma lembrança, que pode ser uma lembrança pessoal, mas também pode não ter apoio no tempo cronológico A Feira de São Cristovão é um lugar de memória, onde o Nordeste permanece muito forte na memória das pessoas, muito marcante, independente da data real em que a vivência se deu. Na memória mais, pública, nos aspectos mais públicos da pessoa, pode haver lugares de apoio da memória, são lugares de comemoração, sendo assim o lugar se torna formado da memória. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais se apropriam da mesma idéia a qual é um dos objetivos a serem atingidos por esse trabalho.
O conceito de memória não será desenvolvido em sala de aula, mas é importante que o professor tenha uma definição própria para aplicar e objetivar sua aula.
Pressupostos teóricos Pedagógicos.
Antes mesmo de refletirmos sobre a relevância pedagógica deste projeto é necessário refletirmos sobre a importância do ensino de História nas escolas. Levando-se em consideração o tempo em que vivemos, onde a escola não é mais um local apenas de instrução e sim de educação, a escola está ocupando o lugar dos pais na construção do ser crítico do aluno, está situação ocorre principalmente nas grandes metrópoles. Tal situação pode ser notada nitidamente ao vivermos o cotidiano de uma escola.
O projeto desenvolvido tem como objetivo participar desse novo modo de educar, onde os alunos aprendem muito mais que conteúdos, os alunos devem aprender e compreender os conceitos que o ajudaram a construir seres pensantes, reflexivos e críticos que os professores, principalmente, os de ciências humanas procuram construir em sala de aula.
Através das palavras de FERNANDO SEFFNER é que compreendemos o porquê de Ensinar História e as deficiências deste ensino.
“Ensinar História na escola é, fundamentalmente, ensinar elementos de teoria e metodologia, não só de História, mas das Ciências Humanas, quanto mais não seja porque, na arrasadora maioria das escolas deste país, é somente na disciplina de História, e parcialmente na de Geografia, que o aluno poderá ter contato com a produção de conhecimento das humanidades. Um professor de História, mais do que ensinar datas e fatos (que são importantes, mas não devem constituir-se na razão única do ensino de História na escola), é alguém que coloca o aluno em contato com os processos de construção/reconstrução do passado, ou, em outras palavras, abre um diálogo acerca do presente valendo-se das reinterpretações a que é submetida à produção do conhecimento histórico”
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O autor em seu trabalho reflete sobre a falta de Teoria e Metodologia, apontando a deficiência nos cursos de licenciatura. Mesmo com esse problema no ensino de História, FERNANDO SEFFNER, demonstra diversas formas de suprir essa deficiência e assim transformar a sala de em um lugar de reflexão.
A reflexão obtida em sala é a responsável por contribuir na construção do ser histórico, um indivíduo pensante, crítico e reflexivo objetivos a serem alcançados pelo ensino de História, os quais podem ser encontrados nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
A falta de metodologia é muito encontrada nos dias de hoje por uma maioria de professores que transformaram a sala de aula em uma espécie de mercado vendendo sua aula e seu conhecimento o máximo possível. As palavras do professor UBIRATAN ROCHA são nos fazem pensar na complexidade e responsabilidade encontrada no ensino de História. A busca por um ser crítico pode ter conseqüência contrária e acabar alienando os alunos com a famosa História decoreba, feita de repetições e sem a preocupação de se enquadrar no perfil do público.
“No entendimento de um grande número de pessoas, dar aula de História é algo muito simples de se fazer. Poucos se apercebem, entretanto, das inúmeras questões teóricas e ideológicas presentes a cada passo da narrativa histórica. Às vezes nem mesmo o próprio professor, habituado como está a repetir o mesmo assunto em diferentes turmas, se dá conta de que o caminho discursivo que segue é apenas um dentre diferentes alternativas possíveis de serem trilhadas. É comum, também, o professor esquecer que as pesquisas históricas e ensino de história são, eles próprios, históricos já que tentam responder a questões colocadas num determinado contexto, lugar e época. São conhecimentos que não estão à margem da sociedade e que não são, portanto, neutros.”
Os conhecimentos históricos não são e nem devem neutros, nós professores devemos ter o cuidado com o perfil de cada turma, e, em alguns casos até mesmo de cada, ou alguns indivíduos.
Feita a reflexão sobre o ensino de História, é o momento de pensarmos sobre a relevância pedagógica deste projeto, o qual desenvolve teoria e metodologia em sala de aula proporcionando um ensino reflexivo. Além disso, o trabalho na Feira de São Cristóvão no ensino de História ta sendo aqui considerado como uma nova metodologia.
Dessa forma às questões levantadas no inicio deste texto devem ser respondidas nas primeiras aulas, pois assim os alunos compreenderão os temas históricos com maior facilidade e não apenas com uma sucessão de fatos.
É esse o papel que a Feira de São Cristóvão deve ter no ensino de história. E não apenas o de concretizar o que está sendo estudado em sala de aula, a Feira de São Cristóvão deve ser um lugar que crie questionamentos, o aluno deve voltar com mais dúvidas – curiosidades - do que certezas. Para fazer uma História diferente em sala de aula o professor não pode ser barrado pelas dificuldades encontradas, mas deve está preparado para ultrapassar essas barreiras e tornar seu aluno em um ser pensante e indagador.
JEUDY, Henri-Pierre.
Memórias do Social. Forense Universitária. RJ. 1990 (Coleção Ensaio e Teoria)
MONTALVÃO, Cláudia S. A.
“Visualizando o Passado: Museu e História”. Coleções Museus e História, artigo solicitado pelos editores e entregue para publicação em 2003.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes.
Ensino de História: Fundamentos e Métodos.São Paulo.Cortez, 2004. p.170
POLLAK, Michael.
Memória e Identidade Social. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992, p. 200-212.
ROCHA, Ubiratan.
“Reconstruindo a História a partir do Imaginário do Aluno”. In: NIKITIUK, Sônia Leite. (Org)
Repensando o Ensino de História. São Paulo, Cortez, 1996 p.47
[11] BITTENCOURTT, Circe Maria Fernandes.
Ensino de História: Fundamentos e Métodos. São Paulo.Cortez, 2004.
[12] BITTENCOURT, Circe M.F. (org
) O Saber Histórico na Sala de Aula. São Paulo.Contexto 1997 trás dois artigos usados neste projeto são eles: ORIÁ, Ricardo. “
Memória e Ensino de História”; ALMEIDA, Adriana M; Vasconcellos, Camilo de Mello.
“Por Que Visitar Museus?” [13] BITTENCOURTT, Circe Maria Fernandes.
Ensino de História: Fundamentos e Métodos. São Paulo.Cortez, 2004.
[13] BITTENCOURT, Circe M.F. (org) O Saber Histórico na Sala de Aula. São Paulo.Contexto 1997 trás dois artigos usados neste projeto são eles: ORIÁ, Ricardo. “Memória e Ensino de História”; ALMEIDA, Adriana M; Vasconcellos, Camilo de Mello. “Por Que Visitar Museus? ”
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: Fundamentos e métodos. São Paulo.Cortez, 2004.p.357